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AUTOCONHECIMENTO: O DESPERTAR DOS SENTIDOS HUMANOS

Dr. Roberto Kanaane (*)

O autodesenvolvimento atua como mola propulsora do comportamento humano facilitando inclusive o despertar das potencialidades latentes. Todo indivíduo passa por estágios que se caracterizam como sendo aqueles voltados para a sua manutenção, sustentação, ajustamento e desenvolvimento. No entanto, a seqüência não é linear, estando inclusive vinculada ao momento pessoal e subjetivo vivenciado por cada indivíduo na sua relação com a sociedade. Os sucessos e insucessos sentidos por cada um de nós agem como parâmetros da conduta humana quanto às perspectivas e expectativas frente aos objetivos pessoais e sociais.

Os limites que o contexto social impõem vem ocasionando restrições quanto a manifestação do potencial existente em cada ser humano. Os valores culturais de cada grupo social geram influências impactando no desempenho da sociedade e conseqüentemente do próprio homem. Além do fator mencionado, existem determinantes sociais, como por exemplo a necessidade constante de identificarmos novas opções de trabalho, relacionamentos e direcionamento dos objetivos de vida, que nos têm levado a busca de alternativas de ações que minimizem os conflitos e contradições inerentes ao cotidiano emergente.

A partir do momento que o homem optou por vislumbrar as possibilidades presentes no seu cotidiano vem conseguindo libertar-se do grau de inconsciência que durante anos se viu acometido. Os estudos sobre as atitudes e comportamentos aliados ao avanço dos processos sócio-interativos, muito tem contribuído para a compreensão e o despertar das potencialidades latentes no ser humano. Entretanto, o homem vivencia presentemente contradições quanto a sua identidade, despersonificando-o e limitando suas experiências de vida.

Pensar em autodesenvolvimento, implica entre outros pontos considerar a condição de ser livre, espontâneo e criativo. Tal condição de autodesenvolvimento, tão buscada por todos nós no cenário contemporâneo, terá um “sabor diferenciado” quando alguns pilares conjugarem-se de maneira mais equilibrada.

Entre esses pilares, destaca-se o trabalho, como fator fundamental no processo de formação e desenvolvimento do ser humano. Em uma organização, as pessoas se comportam com base no que percebem num contexto de múltiplas interações de valores, atitudes e características de personalidade, bem como dos fatores organizacionais. Nesse sentido, o aflorar de competências (técnicas, administrativas, interpessoais e interculturais ), torna-se imprescindível para o fortalecimento do autodesenvolvimento. 

Um outro pilar importante é a família. É muito comum, atualmente, conhecermos histórias de pessoas que dedicaram a vida ao trabalho, aos negócios mas esqueceram-se da família. Há o autodesenvolvimento mas, paga-se um preço tão alto e um dos sentimentos mais evidentes relaciona-se ao arrependimento por não ter conseguido dinamizar esforços e buscar o equilíbrio, no qual trabalho e família pudessem se relacionar de maneira mais harmônica. Repensar e remodelar essa área de nossas vidas é primordial para o alcance de nosso autodesenvolvimento.

Devemos, também, considerar as amizades. Nessa perspectiva, surge um questionamento: de que adianta autodesenvolver-me se não tenho amigos para compartilhar o meu sucesso? Cultivar amizades, mesmo diante de ambientes extremamente hostis, turbulentos é essencial para fortalecermos nossos objetivos, focalizarmos nossas metas, ousarmos novas direções e novos sonhos e principalmente, termos com quem comemorar as conquistas.

A saúde também deve ser permanentemente focalizada. Alimentação saudável, caminhadas, exercícios físicos regulares nos fortalecerão constantemente nessa jornada. Saúde intelectual e espiritual também precisam ser retomadas. 

A meditação é um hábito que nos possibilitará “religar” com o Todo e isso contribuirá para a melhoria de nossos relacionamentos (intra e interpessoais e organizacionais), assim como um grande incentivo no processo de criar-se e recriar-se.

Entendemos que os fatores destacados podem nos auxiliar cada vez mais na conquista de uma trajetória mais humana, mais ética, mais equilibrada, onde efetivamente, o potencial humano possa desenvolver sem negligenciar valores extremamente importantes (trabalho, família, amigos, saúde, natureza, ética, espiritualidade), tendo como ponto de partida O Despertar dos Sentidos Humanos.

Há no momento atual a preocupação em estabelecer parâmetros para direcionar o potencial humano a partir do despertar dos sentidos humanos. Desta forma criar- se e recriar-se, o desafio constante, mesmo frente a cenários contraditórios, passa a ser o impulsionador para alcançarmos patamares diferenciados da carreira e de vida.

Criar-se e recriar-se, com o que temos, mas principalmente com o que somos, ousando olhares e ações diferenciadas que passam pelo resgate da auto-estima, do autoconhecimento e autodesenvolvimento. Começar, persistir, avançar e retroceder, tendo como ponto de partida o encontro consigo mesmo, com o outro, com a vida... Utilizar a “logitividade”( a lógica e a criatividade) para alçar novos vôos e neles descobrir-se, num eterno movimento de aprender a aprender.

Eis o desafio !

 

Bibliografia
AGOSTINHO, M. E et al (org). Convivencialidade: A expressão da vida nas empresas. São Paulo: Atlas, 2002.

ANDERSON, W. T. O Futuro do Eu: Um estudo da sociedade da pós-identidade. São Paulo: Cultrix, 1997.

CURY, A. O Futuro da Humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2005.

KANAANE, Roberto. Comportamento Humano nas Organizações: o homem rumo ao século XXI. 2ª.

_______________; ORTIGOSO, Sandra A F. Manual de Treinamento e Desenvolvimento do Potencial Humano. São Paulo: Atlas, 2001.

_______________; KUAZAQUI, E. Marketing e Desenvolvimento de Competências. São Paulo: Nobel, 2004.

JÚLIO, C. A. Reinventando você. REVISTA EXAME, Edição 768, ano 36, n.12 – 12/06/2002 (p.104 a 106).

 

(*) Roberto Kanaane - Psicólogo, Pedagogo, Mestre e Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo. Membro da Academia Paulista de Psicologia, ocupando a cadeira de nº 21 Coordenador do Mestrado em Administração – Unimonte Santos. Sócio-Diretor da Roka Consultoria em Recursos Humanos. Autor do livro: “Comportamento Humano nas Organizações: o homem rumo ao século XXI. São Paulo; Atlas, 2ª ed., 1999. Co-autor do livro: Manual de Treinamento e Desenvolvimento do Potencial Humano. São Paulo: Atlas, 2001. Co-autor do livro: Marketing e Desenvolvimento de Competências. São Paulo: Nobel, 2004; Co-autor do livro: Ética em Turismo e Hotelaria. São Paulo: Atlas, 2006. Professor da FIA – Fundação Instituto de Administração, atuando nos programas de pós-graduação, extensão.

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