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APAGÃO DE LIDERANÇA, NÃO DE TALENTOS!

Responda rápido. Há quanto tempo você vive sem um chefe realmente inspirador? Que te desafie a ser não apenas um profissional, mas uma pessoa melhor a cada dia, como um todo?

Carecemos de lideranças que se comprometam com o autodesenvolvimento de cada um de sua equipe, respeitando os interesses e necessidades individuais de crescimento.

Digo isso porque é fácil adquirir certos níveis de conhecimento técnico, ou de especialização, uma vez que os grandes conteúdos estão cada vez mais disponíveis na web. Difícil mesmo é manter o ser humano sustentável do ponto de vista integral. Numa condição em que ele possa ampliar os níveis de consciência sobre o seu valor de contribuição nas sociedades onde atua, sob todos os pontos de vista: intelectual, emocional, espiritual. E assim possa conviver em harmonia com seus valores, sempre revisitados, e expandir a sabedoria e o entendimento do que ocorre a sua volta.

Infelizmente o que temos presenciado nas empresas são lideranças egoístas. Aquele chefe que não dispensa o funcionário para um treinamento, uma aula ou um curso que seja de seu real interesse. Lamentável é quando o chefe as políticas apenas para seu próprio benefício, sem estender a oportunidade aos demais. Ou seja, ele sim, está sempre pronto para ir a encontros de associações de classe, ou é o primeiro a se candidatar a um MBA pago pela empresa, em uma instituição de renome para dar peso ao currículo. Vai buscar no papel aquilo que ele não consegue exercitar na prática, com os demais funcionários. Uma falsa chancela.

Mas pior ainda talvez seja aquele chefe que não cuida de seu próprio desenvolvimento integral, de valores morais e sociais, e também não deixa que os demais a sua volta o façam. E ainda se consideram líderes. Isso porque o cargo também emite uma falsa realidade. E diante disso, um subordinado é capaz de passar seis anos ou mais, sem conseguir aprovação para participar de um evento de seu real interesse, ou fazer um curso fora do script do que a área de treinamento desenhou para todos, sem considerar o perfil de cada um, tampouco seu momento de carreira ou suas necessidades como ser humano. Nessa lógica, o que vem primeiro é o cargo, nunca a pessoa.

Imagine um funcionário que deseja algo fora dessa linha? Ou seja, nem se atreva a solicitar um curso de filosofia (ainda que isso lhe ajude a rever todos os valores inclusive corporativos e discutir questões como ética, poder e felicidade). Afinal, precisa ser um líder de verdade, autentico em seu papel, para trazer esses questionamentos para o ambiente do trabalho. Isso instiga nas pessoas o senso crítico, ou repensar o que é essencial à vida, à carreira, à alegria de viver. Que tal, então, arriscar a pedir um curso de expansão da consciência, nos EUA? Vai soar como piada. Mas eu te digo, nunca deixe de tentar e solicitar. Essa é a primeira semente que você pode plantar. Talvez alguém se dê conta que é necessário um outro nível de liderança, com visão holística de gestão. Ou seja, capaz de tratar o ser humano numa dimensão maior que a do ambiente corporativo tem permitido. Afinal, os resultados estão aí. Pessoas frustradas, infelizes, doentes e sem motivação.

Uma pena, porque esse estilo de liderança está mutilando os talentos. E em algum momento vão devolvê-los ao mercado, às famílias, aos amigos, aos outros possíveis empregadores nessas condições. Mas por certo as verdadeiras lideranças fazem isso diferente. Elas contribuem para que as pessoas projetem suas expectativas de crescimento de forma a manter um sorriso na face. Elas criam ambientes propícios à troca de conhecimento e confiança. Tornam as pessoas autossuficientes, e assim mais capazes de colaborar como um todo, não apenas para o que foram contratadas.

É mais fácil você ouvir do RH uma série interminável de desculpas, do tipo, esse treinamento não faz parte das prioridades da empresa. E eles repetem isso ano após ano, como uma máquina de fazer café. Agora me diga, o RH está lá para ouvir as prioridades de quem?

Eu arriscaria dizer que esse nível de chefia não é apenas um descaso diante da responsabilidade de tornar as pessoas sustentáveis. Estamos mesmo diante de chefes que parecem garotas mimadas, mas que no outro extremo, quando afetam a vida e o desenvolvimento dos demais, podem ser verdadeiros tiranos. Nossa única esperança e rezar para que eles sucumbam diante do seu próprio modelo. Afinal, não há empreendimentos, negócios, produtos ou empresas sustentáveis sem pessoas sustentáveis, certo?!  Prova disso, é apenas elencar quantas reestruturações erradas, com alto custo operacional, você já viu passar diante dos teus olhos?

Mas o que me assusta mais ao olhar esse cenário é perceber que o discurso é realmente cada vez mais distante da prática. Chefias medianas de RH vivem pedindo aos funcionários atitudes de empreendedores (vestir a tal camisa, assumir mais e mais responsabilidades, ser um gestor de RH). E ainda que esses profissionais sejam responsáveis pelo seu autodesenvolvimento, ou seja, capazes de gerenciar as suas próprias carreiras, que tenham iniciativa, atitude, e sejam autônomos nas decisões. E então ao primeiro sinal de comportamento nessa ordem, o que eles fazem? Sufocam essas mesmas pessoas. E as colocam em corredores, sem saída. Ou seria de saída?

Essas lideranças que só miram o próprio umbigo deveriam rever o seu papel como educadores sociais e fazer um favor definitivo à sociedade: pedir a aposentadoria. E ceder seu lugar a líderes verdadeiros, comprometidos com o autodesenvolvimento dos que os cercam. Porque a construção de uma vida profissional produtiva e feliz é como qualquer moeda, cuja energia positiva precisa circular para ter valor. É uma questão de construção de pessoas integrais e felizes. É antes de tudo garantir a construção da autoestima de profissionais e de transformar o ambiente de trabalho num lugar de satisfação e honra. Ou seja, fazer parte de um ranking natural e autêntico de a melhor empresa para se trabalhar. De ajudar a moldar cidadãos e assim uma sociedade mais participativa, bem educada e consciente de seu propósito maior na vida. Ser cada dia melhor. Fora disso, não há sustentabilidade para ninguém!

Fonte: Canal RH

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